O que fazer quando o IPTU está no nome de falecido em terreno de marinha? 2026

3 min de leitura

Muita gente enfrenta essa situação: o imóvel não tem matrícula, é terreno de marinha e o IPTU ainda está no nome de alguém que já faleceu há anos. E aí, como fica?

Bora desenrolar essa treta:


Contexto

  • Terreno de marinha não gera escritura comum → é bem da União.
  • O que existe é aforamento (enfiteuse) ou inscrição de ocupação na SPU (Secretaria do Patrimônio da União).
  • Se o IPTU ainda está no nome do falecido, é porque ninguém atualizou o cadastro.
  • Enquanto isso, terceiros podem estar na posse há muito tempo.

O que significa na prática

  1. O fato de o IPTU estar no nome de alguém falecido não tira seu direito de posse, mas mostra que está desatualizado.
  2. Você pode pedir a transferência do cadastro na prefeitura e da inscrição na SPU para o seu nome.
  3. Inventário dos herdeiros não resolve tudo, porque a área não é propriedade privada, mas da União.

Caminhos possíveis

1. Atualização no IPTU

  • Vá na prefeitura e solicite a mudança de titularidade.
  • Documentos que costumam ajudar:
    • Contrato de compra e venda ou cessão de direitos
    • Recibos de IPTU pagos por você
    • Contas de luz/água vinculadas ao endereço
    • Declaração de posse (se tiver)
  • Isso não gera escritura, mas fortalece sua posição.

2. Regularização na SPU

  • A SPU controla os terrenos de marinha.
  • É possível pedir a transferência da inscrição de ocupação ou do aforamento.
  • Precisa comprovar posse mansa e pacífica, com documentos.
  • Se aprovado, o terreno passa oficialmente para o seu nome no cadastro da União.

3. E os herdeiros?

  • Mesmo que os herdeiros abram inventário, o imóvel não vai virar “propriedade privada”.
  • Eles só conseguiriam atualizar os cadastros no lugar do falecido.
  • Mas se você já está na posse e tem provas, pode entrar direto com o pedido na prefeitura e na SPU.

Exemplo prático

  • IPTU em nome de “Seu João”, falecido em 1998.
  • Desde 2005, você paga IPTU e tem contrato de compra e venda.
  • Não existe matrícula, só inscrição de terreno de marinha.

Você pode pedir:

  1. Troca do titular do IPTU na prefeitura.
  2. Alteração da inscrição na SPU para o seu nome.

O que fazer agora

  1. Junte documentos de posse.
  2. Procure a prefeitura para atualizar o IPTU.
  3. Abra protocolo na SPU para transferência de ocupação.
  4. Se houver resistência, um advogado pode te auxiliar em pedido administrativo ou ação judicial.

FAQ rápido

1. Dá pra fazer inventário desse imóvel?
Não, porque terreno de marinha é da União. O máximo é atualizar cadastro de ocupação.

2. Posso vender o imóvel mesmo com IPTU em nome de falecido?
Formalmente, não. Mas você pode ceder os direitos possessórios. O ideal é atualizar os cadastros antes.

3. E se já tem 10, 20 anos de posse?
Isso fortalece sua posição perante prefeitura e SPU. Mas usucapião não se aplica em bens da União.


Esse é mais um conteúdo para esclarecer situações reais que ninguém explica direito.
Se você passa por algo parecido, o caminho é provar a posse e atualizar os cadastros — primeiro na prefeitura, depois na SPU.

Como entendemos cada situação imobiliária

O ponto de partida é sempre o mesmo: documentos, contexto e realidade. Sem promessa, sem atalho, sem empurrar decisão.

ETAPA 1

Levantamento Inicial

Coleta das informações essenciais: documentos disponíveis, histórico do imóvel, tempo de posse e problemas já existentes.

Entender meu caso
ETAPA 2

Análise Técnica

Leitura documental, avaliação de riscos, custos envolvidos e possibilidades reais dentro da lei.

Nem todo caso deve avançar.

ETAPA 3

Encaminhamento Jurídico

Ações judiciais ou medidas formais só são consideradas quando o cenário é consistente e justificável.

A decisão de seguir é sempre sua.


Fabio Mendes

Corretor de imóveis CRECI-SP 316186-F, formado em Negócios Imobiliários e criador do Empreitador, com atuação focada em análise de risco imobiliário, posse de imóvel e situações fora do padrão tradicional de mercado.

Escreve no Empreitador sobre moradia, regularização, conflitos possessórios e decisões judiciais aplicadas à realidade.

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