O perigo do contrato de gaveta no Litoral Sul de SP 2026

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Os contratos de gaveta são extremamente comuns no litoral sul de São Paulo.
Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Praia Grande e regiões próximas têm milhares de imóveis que foram negociados apenas com um contrato particular, sem registro em cartório.
E é justamente aí que mora o perigo.

Neste artigo, você vai entender por que esse tipo de negociação é arriscada, quando pode ser regularizado e quais cuidados tomar antes de comprar ou vender um imóvel nessa situação.


O que é um contrato de gaveta?

É qualquer contrato particular de compra e venda que não foi levado a registro no Cartório de Imóveis.
Ou seja:

  • não transfere propriedade,
  • não garante segurança jurídica,
  • não impede o vendedor de revender,
  • e não cria histórico na matrícula.

O comprador recebe apenas posse, não propriedade.


Por que esse tipo de contrato é tão comum no litoral?

Alguns motivos:

  • imóveis sem matrícula ou com transcrição antiga;
  • terrenos em loteamentos antigos que nunca foram regularizados;
  • heranças sem inventário;
  • vendas rápidas feitas entre familiares;
  • falta de orientação jurídica no momento da compra.

O problema é que o comprador acha que “tem escritura”, mas só tem papel sem força real.


Principais riscos do contrato de gaveta

1. Dupla venda

Sem registro, o vendedor pode revender o mesmo imóvel e o comprador original fica sem proteção.


2. Penhora e bloqueios judiciais

Como o proprietário no registro continua sendo o antigo dono, o imóvel pode ser atingido por:

  • execuções trabalhistas,
  • execuções fiscais,
  • divórcio,
  • inventário.

E o comprador perde a posse.


3. Dificuldade de regularização

Alguns imóveis levam anos para regularizar — outros nunca conseguem abrir matrícula.


4. Briga com herdeiros

Quando o vendedor morre, herdeiros podem contestar a venda e travar qualquer regularização.


5. Não dá financiamento

Sem escritura registrada, o imóvel fica fora de qualquer crédito imobiliário.


Como regularizar um contrato de gaveta?

Depende da situação:

Se existe contrato e o vendedor aceita regularizar

Adjudicação compulsória

Se o comprador está na posse há muitos anos

Usucapião

Se faz parte de loteamento irregular

REURB

Cada caminho exige análise técnica e verificação documental.


Quando NÃO vale a pena comprar um imóvel com contrato de gaveta

  • quando o vendedor não tem origem da posse;
  • quando a matrícula tem bloqueios;
  • quando há briga entre herdeiros;
  • quando não existe possibilidade de regularização;
  • quando o imóvel está em área pública ou risco.

Checklist rápido para o comprador

Antes de fechar negócio, verifique:

  • Quem é o dono oficial na matrícula?
  • Existe inventário pendente?
  • O vendedor tem legitimidade?
  • É possível registrar a venda?
  • A posse é mansa e pacífica?
  • Há risco de penhora contra o atual proprietário?

Conclusão

O litoral sul de SP concentra milhares de imóveis irregulares e negociações informais.
Por isso, o contrato de gaveta é um dos maiores motivos de perda patrimonial, briga judicial e prejuízo na compra e venda.

Comprar sem análise técnica é caminhar no escuro.


Precisa analisar um contrato de gaveta?

Realizamos consultoria especializada em imóveis do litoral sul, incluindo:

  • levantamento completo da documentação no cartório e prefeitura,
  • análise de risco jurídico,
  • verificação de possibilidade de regularização,
  • avaliação de cadeia dominial,
  • e, quando necessário, encaminhamento para advogados parceiros especialistas em usucapião, inventário, adjudicação compulsória e regularização.

Entre em contato antes de fechar negócio e evite prejuízo.
Uma análise profissional pode salvar você de anos de dor de cabeça.

Como entendemos cada situação imobiliária

O ponto de partida é sempre o mesmo: documentos, contexto e realidade. Sem promessa, sem atalho, sem empurrar decisão.

ETAPA 1

Levantamento Inicial

Coleta das informações essenciais: documentos disponíveis, histórico do imóvel, tempo de posse e problemas já existentes.

Entender meu caso
ETAPA 2

Análise Técnica

Leitura documental, avaliação de riscos, custos envolvidos e possibilidades reais dentro da lei.

Nem todo caso deve avançar.

ETAPA 3

Encaminhamento Jurídico

Ações judiciais ou medidas formais só são consideradas quando o cenário é consistente e justificável.

A decisão de seguir é sempre sua.


Fabio Mendes

Corretor de imóveis CRECI-SP 316186-F, formado em Negócios Imobiliários e criador do Empreitador, com atuação focada em análise de risco imobiliário, posse de imóvel e situações fora do padrão tradicional de mercado.

Escreve no Empreitador sobre moradia, regularização, conflitos possessórios e decisões judiciais aplicadas à realidade.

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Quer contextualizar seu caso?

Se fizer sentido, descreva sua situação abaixo. A análise é feita com critério e franqueza — inclusive quando a conclusão for que não vale avançar.

As informações são usadas apenas para análise. Quando não houver caminho razoável, isso será dito com clareza.