Meu imóvel foi invadido: fazer boletim de ocorrência adianta ou é perda de tempo? 2026

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Você chegou no seu imóvel e viu que foi invadido. Cadeado trocado, cerca feita, alguém morando, construindo ou se dizendo dono. Dá vontade de meter o pé na porta, mas a pergunta que vem é:
“Vale a pena ir na delegacia e fazer boletim de ocorrência?”

A resposta é: sim, vale — mas com algumas observações.


O boletim de ocorrência resolve sozinho?

⚠️ Não. O B.O. por si só não tira o invasor do seu imóvel.

Ele serve como prova de que você agiu rapidamente, comunicou o fato às autoridades e registrou a invasão. Mas pra retomar o imóvel, é preciso entrar com ação judicial, normalmente a ação de reintegração de posse com pedido de liminar.


Então por que vale a pena fazer B.O.?

Veja os motivos:

  • 📅 Marca a data da invasão, o que é essencial em disputas judiciais;
  • 📸 Serve como prova de que você tentou resolver legalmente;
  • 👮‍♂️ Em alguns casos, a polícia pode ir ao local e verificar a situação;
  • 🧾 Ajuda a construir um histórico da posse e dos seus direitos sobre o imóvel;
  • ⚖️ Mostra ao juiz que a situação foi comunicada formalmente e você não ficou parado.

Mas atenção: existe algo ainda mais forte que o B.O.

Ata notarial: a prova top no processo

A ata notarial é feita em cartório, por um tabelião, e tem fé pública. Ela registra oficialmente que seu imóvel foi invadido, com descrição de:

  • fotos, vídeos,
  • construções ou ocupações indevidas,
  • e até mesmo o comportamento do invasor.

👉 Nos tribunais, a ata notarial é uma das provas mais fortes. Muito juiz considera ela mais importante que testemunha ou B.O.


Quando fazer B.O. ou ata notarial?

Situação O que fazer?
Invasão recente / flagrante 📞 Chame a polícia + faça B.O.
Invasão já consolidada 📝 Faça uma ata notarial + procure advogado
Quer reforçar sua ação judicial Faça os dois: B.O. + ata notarial

Em quais casos o B.O. é mais importante?

  • Quando o invasor entrou recentemente (até 1 ano e 1 dia);
  • Quando há ameaça, violência ou destruição da sua propriedade;
  • Quando o invasor tá cometendo crime, como furto, dano ou estelionato;
  • Quando você não sabe quem é a pessoa que invadiu.

E se a polícia disser que é “caso civil”?

Isso acontece bastante. A polícia costuma dizer:

“É briga de posse, precisa resolver com advogado.”

E estão certos — a polícia não tira ninguém à força sem ordem judicial (salvo raras exceções de flagrante). O papel dela é registrar o fato e, se houver crime envolvido, investigar.


O que fazer além do B.O.?

  1. Junte documentos do imóvel: escritura, contrato, IPTU, contas no seu nome;
  2. Tire fotos e vídeos da invasão (com data se possível);
  3. Não confronte o invasor sem apoio jurídico;
  4. Vá até um advogado especializado em imóveis e peça ação de reintegração de posse;
  5. Peça liminar pra que o juiz mande tirar o invasor com urgência.

E se eu não fizer o B.O.?

Você não é obrigado, mas pode se prejudicar:

  • Fica mais difícil comprovar a data exata da invasão;
  • Pode parecer que você demorou a agir;
  • Perde uma chance de mostrar que você tentou resolver na legalidade.

Então mesmo que a polícia não vá te “ajudar a tirar o invasor”, o B.O. ajuda muito como prova no processo.


Conclusão

Fazer boletim de ocorrência vale a pena, sim. Ele não resolve tudo, mas é um passo importante pra reforçar sua defesa e abrir caminho pra reintegração de posse na justiça.

Mas se você puder ir além, a ata notarial fortalece ainda mais sua prova no processo.

Não espere o invasor se firmar no local. Quanto mais cedo você agir, mais chances tem de recuperar o imóvel sem dor de cabeça.


🚨 Imóvel invadido? B.O. é só o começo. Fala com um advogado parceiro e resolve do jeito certo!

Um advogado especializado vai te ajudar a:

✅ Entrar com reintegração de posse urgente
✅ Pedir liminar pra tirar o invasor rápido
✅ Usar o B.O. e a ata notarial como prova no processo
✅ Recuperar o imóvel com segurança e respaldo legal

Não vacila. Cada dia que passa, o invasor ganha mais força. Protege o que é seu com apoio legal.


Atenção: Isso aqui é informação, não consultoria. Cada caso tem seus detalhes. Se tiver dúvida, fale com advogado especializado em direito imobiliário.

Como entendemos cada situação imobiliária

O ponto de partida é sempre o mesmo: documentos, contexto e realidade. Sem promessa, sem atalho, sem empurrar decisão.

ETAPA 1

Levantamento Inicial

Coleta das informações essenciais: documentos disponíveis, histórico do imóvel, tempo de posse e problemas já existentes.

Entender meu caso
ETAPA 2

Análise Técnica

Leitura documental, avaliação de riscos, custos envolvidos e possibilidades reais dentro da lei.

Nem todo caso deve avançar.

ETAPA 3

Encaminhamento Jurídico

Ações judiciais ou medidas formais só são consideradas quando o cenário é consistente e justificável.

A decisão de seguir é sempre sua.


Fabio Mendes

Corretor de imóveis CRECI-SP 316186-F, formado em Negócios Imobiliários e criador do Empreitador, com atuação focada em análise de risco imobiliário, posse de imóvel e situações fora do padrão tradicional de mercado.

Escreve no Empreitador sobre moradia, regularização, conflitos possessórios e decisões judiciais aplicadas à realidade.

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Quer contextualizar seu caso?

Se fizer sentido, descreva sua situação abaixo. A análise é feita com critério e franqueza — inclusive quando a conclusão for que não vale avançar.

As informações são usadas apenas para análise. Quando não houver caminho razoável, isso será dito com clareza.